Conhecendo a Caverna do Diabo

Aléxia Muniz
Aléxia Muniz
Olá! Meu nome é Aléxia, criei esse blog para poder falar de viagens. Meu objetivo é te ajudar a viajar, através das minhas histórias e experiências. Bem-vindo ao meu mundo!

Bem pertinho de São Paulo, que tal aproveitar o final de semana e conhecer a maior caverna do estado de São Paulo? Para os amantes de ecoturismo e das belezas naturais, o Vale do Ribeira guarda esse tesouro escondido no interior de São Paulo. Vamos conhecer um pouco mais sobre a Caverna do Diabo?

Localização

Fica localizado em Eldorado, no litoral sul de São Paulo.  A cidade fica a cerca de 300km de São Paulo e em média, 4 horas de viagem. O Vale do Ribeira abriga 31 cidades, 22 paulistas e 9 paranaenses.

Em 1999, a UNESCO declarou a região como Patrimônio Natural da Humanidade por conter uma das maiores biodiversidades da Terra e conserva a maior porção de Mata Atlântica do Brasil.

O forte econômico da região é a agricultura, com produção de banana e palmitos. O turismo ainda é fraco na região, falta incentivo econômico, porém, têm crescido com o ecoturismo, recheado de cachoeiras e belezas naturais.

História

A Caverna pertence ao Parque Estadual Caverna do Diabo. O Parque foi criado em 2008 e integra outras unidades de conservação.  Possui mais de 40.000 hectares e abrange os municípios de Barra do Turvo, Cajati, Eldorado e Iporanga. O parque tem um ecossistema rico que atrai visitantes de todo o mundo. A idade da caverna é aproximadamente 2 milhões de anos.

Oficialmente descoberta por Richard Krane em 1891, porém a caverna já era conhecida dos quilombos que moravam na região, que usavam o clima fresco da caverna para guardar alimentos e a colheita. E muitas vezes, quando eles voltavam para buscar a colheita, achavam tudo remexido e espalhados e interpretavam como sendo ‘’ações do diabo’’ (na verdade, era os animais da mata).

Além disso, eles só iam até a entrada da caverna e escutavam o barulho da água e achavam que eram vozes. Com isso, surgiu o nome ‘’Caverna do Diabo’’.

”a cara do diabo” Consegue ver?

Como chegar

O acesso é pela Rodovia Régis Bittencourt BR-116 e após a entrada na cidade, tem que percorrer cerca de 40 km numa estrada local. Essa estrada não é muito boa, não tem acostamento e nem posto de gasolina. Mas, pelo menos é bem sinalizado e fácil de chegar.

O ideal é ir com atenção redobrada pra chegar com segurança. A melhor forma pra ir é de carro, porém existem algumas excursões que levam as pessoas em ônibus de passeios para fazer a Caverna e outras atrações no dia.

Onde se hospedar

Não tem hospedagem no Parque, o ideal é se hospedar em Eldorado no final de semana e já aproveitar para conhecer as outras belezas da região. Como por exemplo, a Cachoeira de Meu Deus, considerada a mais bonita do Estado de São Paulo. A Cachoeira tem uma imensa queda de 53 metros e sua origem está numa nascente em área fechada, que atravessa quatro quilômetros no interior da Caverna do Diabo.

O acesso mais curto para a bela cachoeira é uma caminhada de dificuldade média (uma hora), que passa por piscinas naturais com água cristalina e três quedas menores. Há outro caminho pela trilha completa do Vale das Ostras (cinco horas), incluindo mais 11 quedas. Nesse caso é obrigatório contar com a presença de um monitor.

Para quem gosta de aventura e ecoturismo, é a pedida perfeita para um final de semana de muita trilha e cachoeiras. O bom é que não é uma viagem cara, os hoteis da região são baratos e praticamente, só paga a entrada nos parques o guia. Claro que é ideal já ter algum preparo físico, mas pra quem quer começar nessa vida de trilheiro, é uma ótima forma de iniciar e pertinho de São Paulo.

Como é

A Caverna possui 6.430 metros, 6 km, de galerias e estrutura já topografado.  Possui salões ornamentados, muito bonitos, com várias formações diferentes formando uma beleza única. É uma das maiores cavernas do Brasil e uma das mais bonitas devido à suas formações enormes.

A Caverna do Diabo é oficialmente, chamada de Gruta da Tapagem. E o passeio conta com escadarias, corrimões e iluminação, o que facilita o acesso. O passeio dura, em média 1 hora e é obrigatório o acompanhamento de um monitor ambiental.

O parque conta com área para piquenique, restaurante, loja, banheiro, estacionamento, centro de visitantes com exposição temática sobre a fauna e flora da região.

Trilhas

Dentro do parque, incluso no ingresso, existem algumas trilhas de diferentes níveis. Tem a Trilha do Araçá, de nível baixo de dificuldade, não precisa de guia e dura em média 50 minutos. Nessa trilha, tem 3 quedas d’água, onde é possível tomar banho de cachoeira.

Tem também a Trilha para o Mirante do Governador, essa trilha é de média dificuldade e dura em média 2h e 30 min. Ao chegar no mirante, proporciona uma visão panorâmica do Vale do Ribeira.

Após a ida à Caverna, o monitor nos mostrou a entrada pra pequena trilha pra cachoeira. Andamos numa trilhinha durante 5 minutos e chegamos na cachoeira com um poço de água. Não era bem o que eu esperava, imaginei que seria maior com algum espaço pra apoiar as roupas. Mas talvez, a cachoeira maior ficasse na Trilha do Araçá, mais distante.

Mas foi uma delícia, inicialmente, eu fiquei em dúvida se entrava ou não, porém, meu vô puxou a fila pra entrar e todo mundo seguiu. A água estava geladérrima e tem que tomar cuidado com as pedras. O fundo não é uniforme e em algumas partes, não dá pé. Mas é bem tranquilo e muito gostoso. Foi um dos momentos que eu mais curti do passeio.

Além da visitação comum, o parque conta com Roteiro do Rio 2.400m 3 horas, Nível de dificuldade médio. É um passeio de aventura e vai lá embaixo no meio da caverna, passando pela água, com roupa de mergulho e lanterna na cabeça. É um passeio muito procurado pra quem curte adrenalina.

Restaurante

Dentro do parque, tem um restaurante chamado Kaverna. Conta com mesas externas e internas, vendem alguns produtos locais como palmito e doces da banana. O cardápio conta com refeições e lanches. Os pratos são para 2 pessoas e o preço varia de R$80 a 100 reais. Não achei muito caro não por ser um local turístico e vem bem servido. Come-se facilmente 3 pessoas.

Não é nada muito chique, porém é tranquilo. Após o almoço, tomamos um sorvete.

Dicas importantes

Não esquecer de ir de tênis, passar MUITO repelente, lá é cheio de mosquito. Eu inclusive, logo que cheguei tomei uma mordida que está até agora meio inchada. Para quem pretende entrar na cachoeira, vá com roupa de banho por baixo e leve uma mochila com uma roupa a mais, chinelo e toalha.

O que eu achei? Vale a pena?

Apesar da caverna ter mais de 6km de extensão, apenas 600m fazem parte da visitação. O monitor ambiental que acompanha o grupo vai contando sobre a caverna e suas formações rochosas. O local conta com passarelas que ajudam as pessoas com maiores dificuldades de locomoção, porém mesmo assim, são muitas escadas e são bem escorregadias.

Meus avós têm 70 anos e foram junto, eles tem uma ótima disposição física e completaram o circuito sem dificuldades. Porém, imagino que pessoas com menos mobilidade, podem achar difícil completar o passeio. Principalmente, mulheres com bebês de colo e idosos.

Dentro da caverna, mantém sempre uma temperatura de 18 graus e é MUITO úmida. É obrigatório ir com tênis/sapatos fechados e não pode tirar fotos com flash. O monitor mostra, durante o caminho, várias figuras e imagens nas formações. É engraçado, mas realmente parece mesmo. Figuras como macaco sentado, rosto do diabo, bruxa… Obviamente que nada é artificial, tudo é feito pela ação da natureza. Essas formações surgiram ao longo de milhões de anos de gotejamento de água.

O passeio é bem legal, a caverna é impressionante e acho que é um passeio diferente para fazer. Principalmente, para quem gosta de natureza e ecoturismo. Não é nada chique e obviamente, poderiam melhorar a estrutura. Porém, vale a pena a visita. É um passeio diferente e único.

Valor do Ingresso

Pelo covid, é necessário comprar o ingresso para entrada no parque com antecedência.

Adulto – R$ 16

Isento(menores de 12 anos e maiores de 60 anos)

O ingresso é gratuito nas primeiras quarta-feiras de cada mês, exceto se for feriado.

Além do preço da entrada no parque, ainda tem que pagar o monitor para entrada na caverna e custa R$16 reais por pessoa. Eu não tinha visto maiores informações sobre isso e descobri somente na hora. Acho que deveria ser mais sinalizado que esse valor é obrigatório.

Para fazer a visita dentro da caverna, é obrigatório contratação do monitor e não precisa agendar antes. Eles ficam ali e saem grupos de 20 em 20 minutos. Com o covid, tem limite de pessoas, então provavelmente irá um monitor só para sua família, como foi conosco. Estávamos em 7 pessoas. Menores de 6 anos não pagam o valor da monitoria.

Ou seja, para visitar a caverna total sai cerca de R$32 reais por pessoa.

Horário de Funcionamento

De terça a domingo das 8h às 17h, com a última visita à caverna às 17h.

Nas férias (segunda quinzena de dezembro, janeiro e julho) e feriados prolongados o Parque abre às segundas-feiras.

Beijos!

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