Tour Linha Bella: Um dia italiano em Gramado

Aléxia Muniz
Aléxia Muniz
Olá! Meu nome é Aléxia, criei esse blog para poder falar de viagens. Meu objetivo é te ajudar a viajar, através das minhas histórias e experiências. Bem-vindo ao meu mundo!

Pra quem quer fugir dos passeios tradicionais de Gramado e conhecer a parte rural da região, o passeio Tour Linha Bella é ideal pra você. Têm tantas coisas pra falar sobre esse passeio, fui adiando fazer esse post que sei que vai ficar grande. Mas vou contar TUDO pra vocês. Vamos lá?

O que é?

O Tour Linha Bella faz parte da iniciativa do governo da região em levar os turistas pra conhecer a parte rural de Gramado. Além do Tour Linha Bella, têm outras opções de tours de AgroTurismo: ‘’O Quatrilho’’, tour pelas raízes alemã, são vários tipos de passeios mostrando raízes diferentes da região.

Eu pesquisei bastante e só teria tempo de fazer um dos tours e escolhi fazer o Tour que mostra as raízes italianas de Gramado. Ou seja, o Linha Bella mostra sobre os colonos, que vieram da Itália bem no comecinho e se estabeleceram na região.

O objetivo do Ministério do Turismo fazendo esses passeios e a guia conta essa história, foi que essas famílias vieram pra região rural de Gramado e conforme a cidade foi crescendo, muitos dos filhos e netos desses imigrantes em busca de emprego, foram pra cidade e com isso, os colonizadores italianos ficaram sem emprego.

Pra incentivar e mostrar pros turistas o lado de quem começou com tudo na região, eles criaram esses passeios onde nos leva pro interior. Com isso, tem o incentivo pra essas famílias e mais de 30 famílias são beneficiadas direta e indiretamente com o passeio.

Eu achei muito legal essa parte, afinal, essas famílias vivem da sua própria produção e fazendo o passeio, aprendemos muito sobre a região e ainda ajudamos  a essas famílias.

Fiquei refletindo muito sobre isso, Gramado é uma grande cidade turística no Brasil e com isso, vem muitos investidores das grandes capitais pra investir na cidade, o que é ótimo. Porém, acho importante não perder as raízes da região. Por isso, esse e outros tours são tão importantes.

O passeio

O passeio incluía 5 paradas, nessas seriam passar pelas casas das famílias e no final, um almoço italiano com tudo incluso.

O ônibus sai 8h da Praça das Etnias e é o ponto de encontro de todos, ou seja, se você está sem carro tem que ir de uber até lá. Pra quem está de carro, faça como nós e pare nos arredores da praça.

A volta estava programada pra 14h15 do mesmo dia. Era tudo o que sabíamos do passeio. Vou contar agora sobre cada parada e como foi tudo.

O ônibus

Assim que chegamos, a guia fica ali na frente e teriam dois ônibus que sairiam pro mesmo tour. Você dá seu nome e eles te falam com qual ônibus você vai. Apesar de serem 2 ônibus, cada uma foi pra uma parada e não nos encontramos. Somente no final na cantina pra almoçar.

O ônibus já é uma peça importante do passeio, já tentaram substituir por um mais moderno, mas iria perder todo o charme. Então, o ônibus continuou.

A guia e o motorista são bem animados e fazem uma bela dupla contando as histórias e animando o povo. Confesso que foi a parte que menos gostamos do passeio, esse negócio de passeio em grupo de toda hora tem que ficar aplaudindo e levantando a mão, acaba enchendo o saco, já que tem que ficar fazendo isso toda hora. Eu entendo que tenha muitas pessoas que gostem dessa ‘’animação’’ e achem essencial, então, por isso estou falando somente sobre a nossa opinião.

Primeira parada Vinícola Masotti

Do centro onde saímos, até a primeira parada dá uns 15 minutos. Mas por conta dos tours, é tudo pavimentado e as estradas são ótimas, passa rapidinho.

Engraçado que fomos à primeira parada na Vinícola e não tínhamos tomado café da manhã e lógico que nosso café da manhã foi vinho na degustação. Recomendo tomarem café antes de irem. Senti falta de oferecerem um cafezinho, afinal, era 8h da manhã.

Na Vinícola, um lugar muito lindo que é a própria propriedade da família, eles moram e produzem ali mesmo. Não chega a ser uma vinícola como a Jolimont e a Casa Valduga que fomos, é uma propriedade mais rural e bem menor.

A visita começa com o próprio Senhor Masotti explicando sobre a produção de vinhos, muito legal. Depois de uns 20 min de explicação, foi bem tranquila, nada técnica, uma coisa é que ele tem um sotaque bem forte e conta um pouco da descendência italiana da família. Então, tem que prestar bastante atenção.

Degustação dos vinhos 9h da manhã

A propriedade é linda e vale dar uma voltinha pra conhecer e tirar umas fotinhos. No dia que fomos, estava um sol gostoso, porém estava bastante frio. Logo depois da palestra do sr Masotti, fomos pra degustação dos vinhos e sucos de uvas que eles produzem ali. Tem vários tipos de vinhos e nós gostamos muito dos vinhos, são bem gostosinhos e bem artesanais, não são vinhos pesados e super secos, como nós não entendemos muito de vinhos e gostamos de vinhos mais tranquilos pra beber. Gostamos muito e o preço é MUITO bom e compramos alguns vinhos e sucos de uva.

Dica: No final da viagem, vimos que os vinhos deles são bastante vendidos na região, decidimos voltar lá pra comprar mais. Colocamos no waze ‘’Vinícola Masotti’’ e voltamos lá por conta. Estava aberto e conseguimos comprar mais. Ou seja, mesmo que você não vá no passeio, pode ir até lá conhecer, degustar e comprar.

Segunda parada Velho Casarão Visenzo Marcon

Essa família é muito antiga e a história é muito legal. Assim que vieram da Itália, eles moraram num tronco de árvore durante 2 anos, inclusive parece muito estranho morar num tronco de arvore, mas é um tipo de arvore e no passeio, eles mostram um exemplo da arvore que ainda tem na região numa casa.

Depois desse tempo, eles começaram a construir o casarão, que é considerada uma casa centenária, já tem mais de 100 anos o casarão que visitamos. E é muito legal que quem conta a história é realmente, as bisnetas e netas dos imigrantes iniciais. Na parte debaixo onde elas contam a história, ali naquela época tinham muitos colonos que vinham pra região quase como andarilhos e não tinham onde morar e onde comer e a família acolhia essas pessoas e deixava eles morarem ali no porão e davam comida em troca de trabalho na fazenda.

É muito legal, pois eles ainda guardam os objetos que eram usados naquela época e dá pra ver como era. Muito interessante, com o tempo a família foi melhorando de vida e conseguiram construir mais e o casarão ficou bem grande.

As senhoras que contam a história são as netas e bisnetas, e elas tem um sotaque bem forte do sul+italiano e ainda usam roupas típicas, é muito legal mesmo.

Depois da história, ficamos livres pra conhecer a propriedade, os objetos e lá no fundo, tem degustação de Grappa, licores e alguns biscoitos.

O que é Grappa, Aléxia?

Nunca tinha ouvido falar também, mas é uma bebida muito tradicional na Itália e é derivada do bagaço da uva e tem um altíssimo teor alcoolico, em torno de 40 a 60%. É muito tradicional no Rio Grande do Sul devido a forte influência italiana. É forte, mas não queima na garganta.

Compramos também um licor que eles produzem ali. Tudo que eles vendem, eles mesmo produzem. O que a guia conta também, é que como apenas algumas famílias são recebidas pelo tour, as outras famílias produzem o alimento e deixam com as que recebem pra elas venderem. Dessa forma, tem muitos produtos super artesanais que só vendem ali mesmo.

Dica: Outro lugar que o pessoal do interior vende seus produtos é na Praça das Etnias na casa do Colono. Fica lá no centro mesmo e vale a pena conhecer. Mesmo sem fazer o tour, você consegue comprar essas iguarias. Muito me falaram, eu não experimentei, mas sobre as cucas que são vendidas ali. Quando fomos, estava uma fila enorme, deve ser bom mesmo.

Continuando, minha propriedade favorita foi essa, o lugar é lindíssimo! Tem ovelhas filhotes muito fofas, videiras e arvores de bergamota, eles chamam assim, mas é a mexerica menor. Delicia e você fica livre pra pegar do pé e experimentar. Não deixem de experimentar, vale muito a pena.

Terceira parada Bodegão do Bof

Essa parada também é conhecida como Marco Zero de Gramado, porque foi ali onde Gramado nasceu. Além disso, lá também teve o primeiro açougue, primeiro abatedouro, primeira Igreja e o primeiro mercado. Quando chegamos, tem a família que trabalhou com esse açougue(bodegão) e eu achei que em termos de família, é a mais divertida.

O homem que conta a história, ele é demais, com as roupas típicas e com o sotaque inconfundível, ele nos leva até o açougue e mostra os instrumentos utilizados pra fazer tudo.

E é muito legal a história contada por eles, depois vamos ao mercadinho ali, é cheio de objetos antigos, como aquela geladeira azul da casa da vó. Ali vende queijos maravilhosos e a famosa ‘’linguiça do vizinho’’, ficou com esse nome, porque é a linguiça, literalmente, que o vizinho produz e coloca pra vender no mercadinho, mas acabou virando uma piadinha.

 Tudo ali você pode degustar, nós compramos a linguiça que é maravilhosa e os queijos.

Dica: Nós comemos a linguiça no hotel depois, mas as que trouxemos pra Santos, estragaram muito rápido. Como são muito artesanais, tem que ser armazenado de alguma forma que não estrague, não sei se foi o tempo que ficou embalada no quarto quente do hotel ou a volta de carro. Não sei porque, mas infelizmente estragou muito rápido. Sorte que comemos lá no hotel e conseguimos experimentar.

Os queijos não estragaram assim rápido, pois são embalados a vácuo. Quem for comprar e quiser levar, pergunte pra eles como é a melhor forma de embalar e depois vem me contar aqui nos comentários.

Quarta Parada Moinho Cavichon

A estrela do passeio é a Dona Maristela, descendente de alemães e italianos. Ela dá uma aula da história da colonização maravilhosa, contando de uma forma que você não prega o olho. Ela com o sotaque bem forte, canta, encanta e conta a história.

Pega os objetos, performa de uma forma bem artística mesmo. Não dá pra explicar, tem que conhecer pra ver. Mas ela é uma artista, com certeza. Todo mundo fica encantado. Depois de assistirmos a apresentação dela, vamos na vendinha experimentar alguns docinhos, infelizmente, ela só vende um copo lá. Não sei se antes da pandemia, tinha mais coisas à venda, mas quando fomos não tinha muitas coisas. Achei que foi a parada mais ‘’pobrinha’’ de vendas.

Depois ali na propriedade, dá pra ver o primeiro moinho da região, fundado em 1920 e preserva até hoje, a construção italiana de pedra e madeira da época.

Quinta parada Cantina Linha Bella

Agora é a hora mais esperada, comer. Antigamente, antes da pandemia, assim que chegava na cantina, entrava o pessoal vestido à caráter dentro do ônibus cantando e dançando. Por conta da pandemia, não tem mais essa parte, agora eles esperam o pessoal descer na frente da cantina.

É muita animação e bem divertido. Entrando na cantina, ela é bem bonita, toda de pedra, AINDA não fui pra Itália, mas imagino que as cantinas italianas devam ser dessa forma. Eles direcionam cada família pra uma mesa e por conta da pandemia, tem uma distância entre as famílias. E lembram do outro ônibus? Essa foi a hora que nos encontramos com eles.

 No meio do salão, um palco onde com roupas típicas um homem e uma mulher cantavam vários clássicos, desde Evidências e clássicos sertanejos até músicas tipicamente italianas como tarantela, incluindo alguns clássicos do Rio Grande do Sul.

Enquanto isso, os rapazes passam servindo a comida, funciona praticamente como um rodízio de massas. Vários tipos de carnes típicas(galeto, costela,), polenta( esse é um clássico da região, em todo lugar tem polenta) e várias massas. Antes era buffet e cada uma ia se servindo, agora com a pandemia, eles servem na mesa.

Tudo muito gostoso e bem farto, eles passam servindo o tempo inteiro e no fundo, música rolando. A bebida não é inclusa e o pessoal bebe desde vinhos, sucos e refrigerantes. Nós, que não somos bobos nem nada, bebemos uma taça de vinho cada e coca cola.

Comida

Achei que faltou mais opções de doces, não tinham muitas opções. Imagino que isso mudou por conta da pandemia, pela minha pesquisa, tinham mais variedade antes. No final, passam servindo cafezinho( necessário pra mim). Depois que todo mundo come, começa a animação, ai eles puxam musicas mais animadas e pedem pro pessoal levantar e dançar.

Imagino que antes da pandemia é mais animado ainda, todo mundo dançando junto, mas mesmo assim, eles conseguiram manter o espirito italiano do negócio. Puxaram aquelas filas onde vai todo mundo dançando e os garçons batendo nas mesas, é muito animado mesmo.

No final, eles chamam todo mundo pra dançar ali na frente e ensinam a dançar ‘’A bella polenta’’ e arrastam algumas pessoas pra dançar ali no meio de todo mundo. Adivinhem? ÓBVIO que me puxaram e tive que dançar. Não tenho fotos e nem vídeos dessa dança maravilhosa, porque meu marido maravilhoso, na hora que viu eu sendo puxada, correu pro banheiro pra se esconder de ser chamado. Traidor hahaha.

Enfim, essa parte as pessoas ficam meio incomodadas e com vergonha e é aquilo que falei no começo, a necessidade de ficar o tempo inteiro interagindo, depois de 6h de interação, acaba enchendo o saco essa obrigação. Mas tem gente que gosta, essa é a nossa opinião, não somos as pessoas animadas do passeio em grupo.

Dica: Se caso você não quiser fechar o pacote do dia inteiro, eles oferecem somente o jantar italiano, com as danças, comidas e todo o show. Deem uma olhadinha quem tiver interesse.

Valores

Adultos +10 anos- R$140

5-9 anos- R$70

0-4 anos- Gratuito

Como foi pra reservar

Bem tranquilo, achei o instagram deles, chamei no whatsapp, avisei o dia que queria com uma antecedência e eles pegaram nossos nomes e falaram que só precisava fazer o pagamento na semana da viagem. Mas dá pra comprar o passeio pelo site deles.

O pagamento tem que ser antes, cartão de crédito ou transferência. Fomos numa segunda-feira, tem que ver com eles quais dias o passeio está sendo feito. Com a pandemia, não são todos os dias. Quando fomos, só tinha segunda e sábado.

Porque nós escolhemos por esse tour em especifico

A família do meu marido tem descendência italiana, a vó dele veio da Itália e traz memórias afetivas pra ele. Eu gosto bastante da Itália e amo a comida. Antes de conhecer ele, coincidentemente, fiz um ano de curso de italiano.

Então, foi fácil pra nós escolhermos. Mas tem muitas opções pra todos os gostos.

O que está incluso

Ingresso e degustação na Vinicola Masotti

Apresentação e degustação no Moinho Cavichion

Passeio e degustação no Velho Casarão

Ingresso e degustação no Bodegão dos Bof

Almoço na Cantina Linha Bella

O que não está incluso

Produtos coloniais vendidos nos pontos

Busca no hotel(opcional)

Bebidas

O que eu achei? Vale a pena?

Voltamos pro ponto de encontro quase 15h, comemos muito e foi o único dia da viagem que não conseguimos nem jantar, fomos dormir cedo, foi um dia bem cheio. Nós gostamos MUITO, foi um passeio muito interessante.

Aprendemos várias coisas diferentes, tanto da colonização como dos colonos, que vieram pra região. Acho que me trouxe uma visão mais ampla sobre Gramado e o sul do Brasil. Muitas vezes, quando viajamos o roteiro fica só naqueles clássicos pontos turísticos e vale a pena abrir nossa mente um pouco pra conhecer fora do circuito clássico.

Vale a pena sim, não é um passeio barato e toma um dia inteiro da sua viagem. Quem tem pouco tempo de viagem, ai não sei se compensa. Como falei, nos incomodamos um pouco desse negocio de passeio em grupo, mas me parece que isso é algo muito pessoal e tem a ver com perfil de cada pessoa. Mas gostamos muito do almoço, das famílias e de passar um dia italiano.

Beijos!

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